sábado, 17 de outubro de 2015

CEDRO-PE: “Pão e Circo”: Prefeitura de Cedro oferece festa ao invés de pagamento aos professores


A política do Pão e circo (panem et circenses, no original em Latim) como ficou conhecida, era o modo com o qual os líderes romanos lidavam com a população em geral, para mantê-la fiel à ordem estabelecida e conquistar o seu apoio. Esta frase tem origem na Sátira X do humorista e poeta romano Juvenal (vivo por volta do ano 100 d.C.) e no seu contexto original, criticava a falta de informação do povo romano, que não tinha qualquer interesse em assuntos políticos, e só se preocupava com o alimento e o divertimento.

Assim, nos tempos de crise, em especial no tempo do Império, as autoridades acalmavam o povo com a construção de enormes arenas, nas quais realizavam-se sangrentos espetáculos envolvendo gladiadores, animais ferozes, corridas de bigas, quadrigas, acrobacias, bandas, espetáculos com palhaços, artistas de teatro e corridas de cavalo. Outro costume dos imperadores era a distribuição de cereais mensalmente no Pórtico de Minucius. Basicamente, estes "presentes" ao povo romano garantia que a plebe não morresse de fome e tampouco de aborrecimento. A vantagem de tal prática era que, ao mesmo tempo em que a população ficava contente e apaziguada, a popularidade do imperador entre os mais humildes ficava consolidada.

Essa tal política "pão e circo" muito utilizada na Roma antiga, continua até hoje. Em várias situações nos cenários nacional e internacional, esse tipo de manipulação se apresenta das mais diversas formas: eventos esportivos, programas televisivos, notícias sensacionalistas, e tantos outros tipos de "atrações" para a população são visíveis a olhares atentos/esclarecidos.

Aplica-se, igualmente esse caso ao episódio da festa oferecida aos professores do Município de Cedro, ontem (16), num clube de eventos da capital do milho: comida, bebida, palavras bonitas, sorrisos falsos e NADA DE PAGAMENTO dos salários aos professores, que já recebem o básico do básico nos seus vencimentos.

Não sou contra festas e homenagens, pelo contrário. Mas não se celebra fora da casa, se no seu interior carece de celebração. Os profissionais do magistério de Cedro vivem há muito tempo no limite de gastos e numa contenção de despesas. E a crise para essa categoria começou desde quando  o atual prefeito não discute melhorias salariais, não cumpre o plano de cargos da categoria e prioriza apenas os seus aliados políticos para a concessão de aulas excedentes, cargos pedagógicos e quaisquer bonificação a esses profissionais.   
              
OS SALÁRIOS

Desde que assumiu o governo municipal em 2009, o Prefeito Josenildo Soares (PSB) somente paga aos professores, os valores referentes  ao piso salarial do magistério. Não cumpre o PCRM (Plano de Cargos, Carreria e Remuneração do Magistério), sem gratificação alguma, como pó de giz, pós graduação, mestrado, doutorado e durante muito tempo, inclusive os quinquênios.

Até dezembro de 2014, os salários desses servidores sempre foram pagos na metade do mês seguinte ao trabalhado, sendo que os valores referente ao ultimo mês do ano, está sendo repassado em 12 "suaves prestações",  durante o ano de 2015, sem juros nem correções. Um verdadeiro pagamento à moda "casas bahias".

A justificativa dada pelo executivo municipal, seria a de que desta forma, a gestão poderia se organizar e repassar, a partir de então  os vencimentos até o dia 10 (dez) do próprio mês  trabalhado. Uma espécie de "pagamento antecipado" para compensar os anos de atraso e instabilidade.
No entanto, no mês do dedicado ao professor, os mestres até o momento não viram a cor do dinheiro. Ao contrário, teve muita festa.

Qualquer semelhança com a Roma Antiga, é mera coincidência...

Aldenir Santos (Pelé) 
Professor da Rede Municipal de Ensino

Via Tribuna de Cedro

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